ILU YA
Introdução

Imagine reunir a força de onze mulheres à força sonora dos tambores.

É de fazer tremer o corpo, a alma e a terra. Esta é a sensação provocada por este grupo logo a primeira vista; ao
soar da primeira nota. Esta sensação se explica não apenas por sua estética musical e cultural, mas tambén por sua expressão no plano estético e na história por detrás do som, da música, dos corpos e dessas onze mulheres.

O fio condutor é a linguagem musical do Maracatú de Baque-Virado, importante manifestação cultural do estado de Pernambuco, situado no
nordeste do Brasil. O diferencial é o toque das mãos e das vozes femininas. Tão doces quanto fortes, precisas e poderosas.

O Maracatu de Baque-Virado, também conhecido como Maracatu Nação é uma das expressões culturais mais valiosas da diáspora africana no Brasil. É estruturalmente composto por música e dança e tem sua fundamentação na herança religiosa e na rica memória cultural do pernambucano desde os tempos da escravidão nos idos tempos do Brasil Colonial. É a representação de uma manifestação de resistência da cultura negra e então escravizada remontando às antigas coroações de seus Reis e Rainhas Congo que desde sempre sofriam com a coibição de suas práticas culturais e religiosas.

Juntou-se isso à histórica semelhança da trajetória das mulheres que, com muita persitência, cavaram seus espaços para mostrar força e
habilidades. Um caminho que tempos depois logrou criar um abeto diálogo sobre o lugar da mulher nas artes e do empoderamento feminino.

Duas expressões legítimas de beleza e resistência.


Do encontro com diferentes raízes culturais, trajetórias humanas e musicais é que então nasce o Ilu Yá :: Tambor de Mulher.

O Grupo

As onze integrantes que compõem o Ilu Yá são estudantes de ritmos da cultura popular brasileira a mais de 15 anos. São tamboreiras das mais
antigas de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. O primeiro encontro entre elas foi por volta do ano 2000, no grupo percussivo Trovão Das Minas – primeiro grupo a trabalhar com a linguagem musical do Maracatu de Baque Virado fora do estado de Pernambuco.

Trabalhando desde então com esta e com outras manifestações culturais afro-indígena brasieiras, essas onze mulheres se reuniram neste importante momento de transição da América-Latina, criando un grupo de música e percusão afim de fazer parte desse núcleo de resistência e empoderamento feminino, intercâmbio de informações, aprendizados e aperfeiçoamento técnico das tradições do nosso continente.

Estas mulheres trazem um longo currículo de trabalhos nesta área e também podem ministrar diversas aulas e palestras sobre a cultura popular brasilera,
suas danças, cantos, poesia e sobre o lugar da mulher em todo esse contexto.